Um Brasil vaidoso


Agora sim parece que vivo num país que se ama, começamos o ano com as capas de duas revistas semanais conceituadas com a exaltação do Brasil, porém precisamos começar a entender melhor o que devemos colocar na hora de nos exaltarmos.

Bom, Michel Teló é bom? Sim, não é ruim para quem gosta de sertanejo, mas é ruim para os que não gostam. Até aqui tudo bem. Agora dizer que uma música escrita em 2008 é a representação da cultura popular?

Não, isso é errado, quantos no Brasil sabem sobrem o Brasil? Acho que representação da cultura nacional é dar valor à bandeira, ao hino, as lendas, as paisagens, as cidades históricas, as construções, os quadros, os filmes e até mesmo as músicas, mas não é músicas com baixo nível intelectual que deveriam representar o Brasil.

Tem muita coisa que eu ainda não conheço do meu país e que tenho descoberto aos poucos e que garanto que são mais representações da cultura nacional do que a música “Ai se eu te pego”, por exemplo, quantos sabem que existem um ritmo chamado Tecno Macumba? Quantos sabem me dizer o nome de seis artistas da Vanguarda? Quantos sabem o nome de 5 filmes nacionais lançados em 2011?

Cultura nacional é algo tão abrangente ainda mais em um país onde uma cultura é parte de várias outras, digo isso pois em um país onde europeus, africanos, asiáticos e outras pessoas de outros países trouxeram suas culturas e essas misturaram umas com as outras gerando uma cultura miscigenada tão abrangente e tão acolhedora que não poderiam se resumir somente a uma música.

O fato de a música estar tocando no mundo inteiro é algo interessantíssimo, não acho ruim isso, o que me irrita é a parte que a revista Época colocou em sua capa de que “traduziu os valores da cultura popular para todos” isso meio que diminui a nossa cultura.

O Brasil é um país tão especial que consegue engolir as culturas de outros povos e gerar uma nova cultura, meio que às vezes tira a originalidade, mas nem por isso deixa de ser grandioso. Por falta de assunto prefiro que as revistas não sejam editadas, afinal de contas o que foi feito gerou um efeito negativo para a Revista Época, pois os brasileiros que não gostam de sertanejo se revoltaram.

Bom, gosto do Michel Teló, gosto da música e não gostei da revista e muito menos da brincadeirinha da capa, até porque eu achei muito tendeciosa e pode gerar um duplo sentido inaceitável, além de que sabemos que a música não é dele, mas que a interpretação dele foi e está sendo a melhor e por isso ficou famosa. Quero muito sucesso para ele e muito sucesso para música, só acho que a Revista Época tem que maneirar no sensacionalismo, assim como a veja fez com o Neymar.

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